terça-feira, 21 de outubro de 2014

Deu no New York Times! Agora é oficial: EUA são o maior estado terrorista do planeta


Noam Chomsky, Telesur, Venezuela - Tradução: Vila Vudu

Imaginem que o Pravda publicasse na primeira página os resultados de um estudo feito pela KGB que tivesse avaliado os resultados de todas as grandes operações terroristas que o Kremlin tivesse comandado ao redor do mundo, como parte do esforço para descobrir o que levou cada ‘ação’ dessas ao sucesso ou ao fracasso, e estudo que, no final, concluísse que, desgraçadamente, atos terroristas raramente ‘dão certo’ e de tal modo tendem a ‘dar errado’ que, hoje, seria muito mais recomendável [o Kremlin recomendando!] repensar a política e as vias políticas, em vez de fazer terrorismo.

Imaginem também que o artigo citasse o presidente Putin, o qual dissesse que havia encomendado esse estudo à KGB para descobrir casos de “financiamento e apoio com armas e munição a insurgentes ativos dentro de país estrangeiro e que tivessem realmente dado certo. E a KGB [Putin falando] não conseguiu encontrar grande coisa.” E que, por isso [Putin] relutava um pouco em repetir novos esforços terroristas.
Se – embora seja quase inimaginável – artigo desse tipo aparecesse publicado na imprensa, se ouviriam muitos gritos de ultraje e indignação que clamariam aos céus; e a Rússia seria amargamente criticada, condenada (e até coisa pior!) não só pelo terrível currículo como terrorista ativíssimo, afinal abertamente confessado, mas, também, por a classe política russa não mostrar nenhuma preocupação e nenhuma indignação, exceto pelo fato de o terrorismo de estado russo funcionar muito mal, e para ordenar que as práticas terroristas fossem aprimoradas.
Tudo isso é muito difícil de imaginar. Artigo desse tipo nunca seria publicado. O problema é que o tal artigo existe e foi publicado. De diferente, só um pequeno detalhe: apareceu publicado no New York Times – e é quase exatamente o tal artigo impossível.
Dia 14/10, a matéria de primeira página do New York Times tratava de um estudo feito pela CIA em que a Agência examina as principais ações terroristas comandadas pela Casa Branca em todo o mundo, num esforço para conhecer os fatores que levaram cada ação terrorista ao sucesso ou ao fracasso; e a CIA concluiu que, que, desgraçadamente, atos terroristas raramente ‘dão certo’ e de tal modo tendem a ‘dar errado’ que, hoje, seria indispensável repensar a política e as vias políticas, em vez de fazer terrorismo.
E o artigo cita o presidente Obama, o qual diz que havia encomendado esse estudo à CIA para descobrir casos de “financiamento e apoio com armas e munição a insurgentes ativos dentro de país estrangeiro e que tivessem realmente dado certo. E a CIA [é Obama falando] não conseguiu encontrar grande coisa.” E que, por isso [Obama] relutava um pouco em repetir novos esforços terroristas.
Não se ouviu nenhum grito de ultraje; indignação zero, nada.
A conclusão é clara. Na cultura política ocidental dá-se por natural e adequado que o Líder do Mundo Livre governa um estado-bandido terrorista e pode proclamar abertamente sua eminente liderança na prática de tais crimes. E dá-se por perfeitamente natural e adequado que o professor de Direito Constitucional e laureado com o Prêmio Nobel da Paz que tem as rédeas do poder só se deva preocupar com praticar com mais eficácia, o mesmo velho terrorismo de sempre.
Basta examinar mais de perto, para ter certeza que as conclusões a extrair são exatamente essas.
O artigo começa citando abertamente as operações [terroristas] dos EUA “de Angola a Nicarágua e a Cuba.” Acrescentemos um pouco do que o jornal omitiu.
Em Angola, os EUA uniram-se à África do Sul no apoio crucial ao UNITA, exército do terrorista Jonas Savimbi, e continuaram a apoiar aqueles terroristas mesmo depois de Savimbi já ter sido completamente derrotado numa eleição livre e cuidadosamente fiscalizada e até depois de a própria África do Sul já ter deixado de apoiar aquele “monstro cuja ânsia de poder trouxe terrível miséria para seu próprio povo” – nas palavras do embaixador britânico em Angola Marrack Goulding, secundado pelo chefe da estação da CIA na vizinha Kinshasa, o qual já alertara que “não foi boa ideia” apoiar o citado monstro, “por causa da extensão dos crimes de Savimbi. Era homem terrivelmente brutal.”
Apesar das operações terroristas extensivas e violentíssimas apoiadas pelos EUA em Angola, forças cubanas conseguiram expulsar do país os agressores sul-africanos, os obrigaram a deixar também a Namíbia que ocupavam ilegalmente, e abriram caminho para a eleição em Angola na qual, depois de derrotado, Savimbi “desconsiderou completamente a avaliação feita por quase 800 observadores estrangeiros que acompanharam as eleições, para os quais as eleições haviam sido livres e justas” (New York Times), e continuou a sua guerra terrorista com o apoio dos EUA.
Os feitos heroicos dos cubanos na libertação da África e no fim do apartheid foram saudados por Nelson Mandela, quando afinal deixou a prisão. Dentre seus primeiros atos, Mandela declarou que “durante todos os meus anos de prisão, Cuba foi uma inspiração, e Fidel Castro, uma torre de fortaleza (...)[as vitórias cubanas] destruíram o mito da invencibilidade do opressor branco e inspiraram as lutas de massas da África do Sul (...) ponto de virada para a libertação de nosso continente – e do meu povo – do flagelo do apartheid. (...) Que outro país pode apresentar histórico de mais desapego e desprendimento que Cuba, em suas relações com a África?”
Bem diferente disso, o comandante terrorista Henry Kissinger ficou “apoplético” ante a insubordinação do “pipsqueak” [nulidade; zé-ninguém; meia-leca] Castro, que tinha de ser “esmagado”, como registram William Leogrande e Peter Kornbluh em seu livro Back Channel to Cuba, a partir de documentos recentementes liberados para conhecimento público.


Voltando à Nicarágua, é preciso não esquecer a guerra terrorista de Reagan, que prosseguiu ainda bem depois de a Corte Internacional de Justiça ter ordenado a Washington que cessasse seu “uso ilegal da força” – quer dizer: terrorismo internacional – e pagasse reparação substancial, e depois de já haver projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU conclamando todos os estados (de fato, só os EUA) a respeitar a lei internacional, que foi vetada por Washington.
Mas é preciso reconhecer que a guerra terrorista de Reagan contra a Nicarágua – à qual Bush-pai, “o Bush estadista” – não foi tão destrutiva quando o terrorismo de estado que o mesmo Reagan patrocinara entusiasticamente em El Salvador e na Guatemala. A Nicarágua teve a vantagem de contar com um exército para enfrentar as forças terroristas comandadas pelos EUA, enquanto nos países vizinhos os terroristas que assaltavam a população eram as forças de segurança armadas e treinadas por Washington.
Em algumas semanas estaremos comemorando o Grand Finale das guerras terroristas de Washington na América Latina: o assassinato de seis importantes intelectuais latino-americanos, sacerdotes jesuítas, por uma unidade terrorista de elite do exército salvadorenho, o Batalhão Atlacatl, armado e treinado por Washington, agindo sob ordens explícitas do Alto Comando, e com longo currículo de massacres das vítimas de sempre.
Esse crime chocante, cometido dia 16/11/1989, na Universidade Jesuíta em San Salvador foi o ápice da terrível praga terrorista que se espalhou pelo continente depois que John F. Kennedy mudou a missão dos militares latino-americanos, de “defesa hemisférica” – relíquia já ultrapassada da 2ª Guerra Mundial – para “segurança interna”, o que significa: guerra contra a população doméstica, dentro de cada país.
Resultado disso aparece descrito sucintamente por Charles Maechling, que comandou o planejamento da contrainsurgência e defesa interna dos EUA, de 1961 a 1966. Ele fala da decisão de Kennedy, em 1962, como mudança de “tolerância com os roubos e a crueldade entre os militares latino-americanos”, para “cumplicidade direta” nos crimes dos mesmos militares, a ponto de os EUA garantirem apoio “aos métodos de Heinrich Himmler dos esquadrões-da-morte.”
Tudo isso está esquecido, exceto “o tipo certo de fatos”.
Em Cuba, as operações terroristas de Washington foram lançadas a pleno furor pelo presidente Kennedy, para punir os cubanos por terem derrotado a invasão da Baía dos Porcos comandada pelos EUA. Como escreve o historiador Piero Gleijeses, JFK “ordenou a seu irmão, o advogado-geral Robert F. Kennedy (RFK), que comandasse o grupo de alto nível inter-agências que concebeu a Operação Mongoose [fuinha], um programa de operações paramilitares, guerra econômica e sabotagem, que ele lançou no final de 1961, para impor ‘os terrores da Terra’ a Fidel Castro, ou, dito mais prosaicamente, para derrubá-lo do governo.”
A expressão “terrores da terra” é citada pelo historiador Arthur Schlesinger, sócio de RFK, na biografia semioficial que escreveu dele. RFK informou à CIA que o problema cubano passava a ser “a principal prioridade do governo dos EUA – tudo o mais é secundário –, e não se deve desviar nenhum minuto, nenhum esforço, nenhuma capacidade humana” do esforço para derrubar o governo de Castro e levar ‘os terrores da Terra’ a Cuba.”
A guerra terrorista lançada pelos irmãos Kennedy não foi coisa pequena. Envolveu 400 norte-americanos, 2 mil cubanos, uma esquadra privada de barcos rápidos e orçamento anual de $50 milhões, controlado em parte por uma base da CIA que operava em Miami, em violação do Ato de Neutralidade e, presumivelmente, violando também a lei que proíbe operações da CIA dentro dos EUA. As operações incluíram bombardeamento de hotéis e instalações industriais, afundamento de barcos pesqueiros, envenenamento de rebanhos e de plantações, contaminação de estoques de açúcar exportados, etc. Algumas dessas operações não foram especificamente autorizadas pela CIA, mas executadas pelas forças terroristas que a CIA fundara e financiava, diferença que nada significa no caso de ação contra inimigos oficiais.
As operações terroristas Mongoose foram comandadas pelo general Edward Lansdale, que tinha ampla experiência em operações terroristas comandadas pelos EUA nas Filipinas e no Vietnã. O trabalho da “Operation Mongoose” era gerar “revolta aberta e derrubar o regime comunista” em outubro de 1962, o que, para “sucesso definitivo exigirá intervenção militar decisiva dos EUA”, depois que o terrorismo e a subversão tivessem preparado o terreno.
Outubro de 1962 é, claro, momento muito significativo na história moderna. Naquele mês, Nikita Khrushchev enviou mísseis para Cuba, desencadeando a crise dos mísseis que chegou ameaçadoramente perto de uma guerra nuclear terminal. Especialistas reconhecem hoje que Khrushchev foi motivado em parte pela imensa preponderância dos EUA em termos de força, depois que Kennedy respondeu aos seus pedidos para reduzirem as armas ofensivas, aumentando ainda mais a vantagem dos EUA, e em parte por preocupação de que os EUA pudessem invadir Cuba. Anos depois, o secretário de Defesa de Kennedy, Robert McNamara, reconheceu que Cuba e Rússia tiveram razões para temer um ataque. “Se eu estivesse no lugar dos cubanos ou soviéticos, teria pensado como eles” – disse McNamara numa conferência internacional nos 40 anos da crise dos mísseis.
O muito respeitado analista político Raymond Garthoff, que teve muitos anos de experiência direta na inteligência dos EUA, relata que, nas semanas antes de a crise de outubro eclodir, um grupo de cubanos terroristas que operavam da Flórida com autorização dos EUA executou “um ousado ataque com barcos rápidos contra um hotel cubano próximo ao mar, nos arredores de Havana, onde se sabia que se reuniam técnicos militares soviéticos, matando grande número de russos e cubanos.” E pouco depois, continua Garthoff, as forças terroristas atacaram navios cargueiros britânicos e cubanos e outra vez invadiram Cuba, dentre outras ações cuja frequência aumentava no início de outubro. Num momento tenso da ainda não solucionada crise dos mísseis, dia 8 de novembro, uma equipe de terroristas enviada pelos EUA explodiu uma instalação industrial em Cuba, depois de as operações Mongoose já estarem oficialmente suspensas. Fidel Castro disse que 400 trabalhadores morreram nesse ataque, guiado por “fotografias feitas por aviões espiões”. Atentados para tentar assassinar Castro e outros ataques terroristas continuaram a acontecer imediatamente depois de a crise estar terminada, e escalaram novamente em anos posteriores.
Houve algumas poucas notícias de uma parte bem menor da guerra terrorista, muitos atentados para assassinar Castro, em geral deixadas rapidamente de lado como trapalhadas infantis da CIA. Além disso, nada do que aconteceu jamais atraiu muito interesse ou comentários nos EUA.
A primeira investigação séria, em idioma inglês, sobre o impacto daquelas ações sobre os cubanos foi publicada em 2010 pelo pesquisador canadense Keith Bolender, em seu Voices From The Other Side: An Oral History Of Terrorism Against Cuba, estudo valioso, largamente ignorado.
Os três exemplos considerados na matéria do New York Times sobre o terrorismo norte-americano são só a ponta do iceberg. Mesmo assim, é útil ver esse muito claro e significativo reconhecimento de o quanto Washington é dedicada a operações do terrorismo mais mortífero e destruidor, e do pouco, praticamente nada, que essa ação terrorista dos EUA significa para a classe política, que aceita como normal e adequado que os EUA se apresentem ante o mundo como superpotência terrorista, imune a leis e normas civilizadas.
Muito estranhamente, o mundo não pensa como a classe política norte-americana. Pesquisa internacional distribuída ano passado pelo Worldwide Independent Network/Gallup International Association (WIN/GIA) descobriu que os EUA ocupam o primeiro lugar, de longe, como “maior ameaça contra a paz mundial hoje”, muito à frente do Paquistão, segundo colocado (certamente inflado pelo voto dos indianos), e nenhum outro país sequer se aproxima desses dois.
Felizmente, os norte-americanos foram poupados, e não tiveram de tomar conhecimento dessa informação insignificante.

Brasil sob pressão da CIA


Nil NIKANDROV, Strategic Culture - Tradução: Vila Vudu

Mais de 200 ativistas políticos, intelectuais, artistas gente de arte e cultura assinaram um manifesto, dia 26 de outubro, chamando atenção para as ações hostis de Washington, com o objetivo de impedir a reeleição da presidenta Dilma Rousseff. O documento está postado em redes sociais. Diz que uma possível chegada ao poder de Aécio Neves do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), que representa os interesses dos magnatas, provocará dano irreparável ao país e removerá quaisquer impedimentos que haja hoje ante a interferência direta nos assuntos internos do país. Neves ficará no papel de instrumento obediente nas mãos do governo dos EUA. Washington está fazendo de tudo, para conseguir que Neves seja eleito – algumas coisas são feitas só discretamente; outras são completamente ações clandestinas.

Todos os recursos de propaganda e de informação da CIA estão mobilizados para apoiar Neves. Cerca de 80 milhões de brasileiros têm acesso à internet, 150 milhões são usuários de telefones celulares. Os serviços especiais dos EUA conhecem muito bem inúmeras técnicas para desestabilizar países. Recentemente, o país foi cenário para ‘protestos’ contra a Copa do Mundo, mostrando que já há forças implantadas no Brasil, prontas para serem acionados em cenário de “revolução colorida” a qualquer momento.
No Brasil não há qualquer tipo de restrição à operação de organizações não governamentais (ONG), e muitas das ONGs que operam no Brasil têm ligações diretas com pessoal da embaixada e de consulados dos EUA, como com operadores da United States Agency for International Development, USAID. A inteligência humana é usada para desacreditar as políticas do governo de Dilma Rousseff. Espalham-se mentiras e desinformação, que pintam o governo como inefetivo e ineficaz, por todos os meios disponíveis. ‘Especialistas’ de televisão preveem o colapso nacional, no caso de a atual presidenta ser reeleita. Distribuem resultados duvidosos de ‘pesquisas de intensões de voto’ que só fazem confundir e complicar ainda mais qualquer visão objetiva da realidade.
Jornais usados como veículo de propaganda dedicados a distribuir ‘informação’ de pesquisas que as próprias empresas jornalísticas fazem ou encomendam a outras empresas, repetem incansavelmente a expressão “empate técnico”, que oferece muitos espaços para manipulação, falsificação e distorção de fatos, de que a CIA serve-se para empurrar para a ‘liderança’ nas pesquisas o candidato cuja eleição mais interessa aos EUA.
Há alguns anos, viu-se idêntico fenômeno no México. Enrique Peña Nieto, candidato apoiado pelos EUA, concorreu contra Lopez Obrador, candidato das classes populares e apoiador de Hugo Chávez. A manipulação e falcatruas para dar a vitória a Peña foram amplas e disseminadas, e muito mexicanos ainda duvidam de sua vitória nas urnas, mas Washington declarou que as eleições teriam sido transparentes e honestas.
Rubens Antônio Barbosa, principal conselheiro de Aécio Neves para assuntos internacionais é candidato virtual ao posto de Ministro das Relações Exteriores. Muitos apoiadores de Rousseff o têm como principal agente da CIA no Brasil, para influenciar o resultado das eleições. Barbosa foi embaixador do Brasil em Washington, [é autor publicado pelo Instituto Milênio] e presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Em harmonia com sua orientação pró-EUA, fala de “despolitizar a política externa” e de o Brasil “reconsiderar suas prioridades estratégicas em relação aos EUA e à China”.
Depois do auge do escândalo da espionagem, quando se soube que os telefones da presidenta Rousseff, de membros do gabinete, comandantes militares e de serviços especiais estavam sendo espionados pela CIA, e depois que o presidente Obama recusou-se a pedir desculpas formais, o Brasil passou a estreitar suas relações com a China – seu principal parceiro comercial desde o governo do ex-presidente Lula da Silva. Agora, Barbosa diz que, no caso de Neves vir a ser eleito, os EUA voltarão a ocupar posição correta (quer dizer, dominante) nas prioridades da política exterior do Brasil.


Há uma expressão usada por Barbosa que oferece uma pista para o que seria a política externa brasileira num eventual governo do qual ele participe. Barbosa disse que a proteção dos interesses nacional não mais será passiva. A Bolívia nacionalizou duas refinarias da Petrobras, e o governo brasileiro nada fez para proteger os interesses do Brasil. Neves e Barbosa prometem dar acesso a empresas norte-americanas de petróleo para que extraiam petróleo da bacia continental. A equipe de Neves diz que a política será “mais pragmática” e absolutamente diferente da abordagem ideológica típica do Partido dos Trabalhadores. E que serão ‘corrigidas’ as posições do Brasil em questões como o relacionamento com o Mercosur (Mercado Comum do Sul, bloco sub-regional), com os BRICS e com outros grupos internacionais.
Washington empenhou muitos esforços na preparação das eleições no Brasil; agora, chega ao estágio final. O Departamento de Estado e os Serviços Especiais enviaram para lá dúzias de agentes experientes, que já trabalharam em várias operações desse tipo, em todo o mundo.
Por exemplo, Liliana Ayalde, atual embaixadora dos EUA no Brasil, fez bom serviço no Paraguai, para conter a expansão da “ideologia populista”. Agora, chegou a hora do Brasil.
Os principais agentes da conspiração contra a presidenta Dilma são funcionários da embaixada e de consulados dos EUA no Brasil: Alexis Ludwig (conselheiro político), Paloma Gonsalez (funcionária da seção econômica), Samantha Carl-Yoder (Chefe da Seção Econ/Pol.), Kathryn Hoffman (secretária política, Consulado Geral dos EUA em São Paulo) e Amy Radetsky (Cônsul Chefe para Assuntos Políticos e Econômicos, Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro).
Basta olhar o currículo de Radetsky para compreender que Washington preparou-se para “situação não padrão” no Brasil. No Departamento de Estado, ela foi responsável por monitorar os eventos no Brasil, para avaliar como afetavam as relações bilaterais e delinear as políticas para esse país. Era quem supervisionava todas as mensagens que saíam da embaixada dos EUA em Brasília. Pouco depois, chefiou uma equipe especial do Departamento de Estado para monitorar a emergência e o desenvolvimento de situações de crise na região e preparar relatórios de situação para o secretário de Estado John Kerry. Agora, foi mandada para o Rio! Que crise terá trazido Radetsky ao Brasil?
Intelectual e político venezuelano, Eleazar Díaz Rangel diz que uma possível derrota de Dilma seria “um desastre”. Os governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff melhoraram a vida de dúzias de milhões no Brasil, que, antes, viviam até sem eletricidade. O Partido dos Trabalhadores iniciou mudanças drásticas positivas no continente sul-americano. Segundo Rangel, o governo Obama mobilizou todas as forças da oposição no Brasil e em outros países latino-americanos, todo o potencial das empresas-imprensa e de agências de informação no Brasil para impedir a re-eleição da presidenta Dilma Rouseff. Há fundos alocados para garantir apoio ao candidato Neves na corrida presidencial. Círculos financeiros e econômicos norte-americanos influentes estão envolvidos, para ajudar Neves a ser eleito.
Conseguirão os brasileiros mobilizar-se, eles mesmos, e evitar o desastre, como o chamou Eleazar Díaz Rangel? Saberemos em uma semana.

Imperialismo australiano: Cão de ataque, na guerra norte-americana


Nick Beams, World Socialist Website (Comitê Internacional da IV Internacional) - Tradução: Vila Vudu

Declarações recentes do primeiro-ministro australiano Tony Abbott, de que “confrontará, com cabeçada na camisa” o presidente Vladimir Putin da Rússia, na reunião de líderes do G20 em Brisbane no próximo mês, sobre a derrubada na Ucrânia do avião malaio que fazia o voo MH17 podem parecer bizarras, à primeira vista.

Mas, longe de ser alguma espécie de explosão de ‘oposição’ violenta sem sentido, a fala de Abbott é manifestação de um processo para intensificar as tensões geopolíticas, especialmente o movimento dos EUA contra a Rússia, com a crescente substituição da diplomacia pelo militarismo e pela mais ativa provocação.
A expressão “com cabeçada na camisa” vem das regras do futebol australiano; é uma cabeçada no peito de jogador adversário, com intenção de derrubá-lo e risco assumido de provocar ferimento grave.
Embora a escolha do vocabulário seja obra de Abbott e nesse sentido casual, a beligerância da expressão não é casual. É expressão do aumento no papel global que o imperialismo australiano vem tendo como força avançada do impulso para guerra dos EUA – dirigido contra a Rússia e contra a China. O governo russo deixou claro que compreendia perfeitamente que, embora a voz fosse de Abbott (“desequilibrado, urgentemente necessitado de atenção psiquiátrica”), o ‘recado’ vinha de Washington.
A Austrália já está plenamente integrada no “pivô para a Ásia” dos EUA, contra a China. Seu papel começou a ser preparado com a derrubada do ex-primeiro-ministro do Partido Trabalhista Kevin Rudd, por golpe interno no partido em junho de 2010, orquestrado por operadores instalados dentro do partido e com laços estreitos com a embaixada dos EUA. A remoção de Rudd, que havia falado sobre a necessidade de o país acomodar-se ao crescente poder econômico da China no Leste Asiático, aconteceu logo depois da renúncia do primeiro-ministro japonês Yukio Hatoyama (“por não ter cumprido promessas de campanha, dentre as quais a relocação da base aérea dos EUA em Okinawa”), apenas poucas semanas depois de o japonês ter exposto a orientação de sua política externa, favorável a uma aproximação com a China.
Desde os eventos de junho de 2010, a política externa da Austrália tem andado exatamente sobre as pegadas dos EUA. O “pivô” para a Ásia foi anunciado pelo presidente Obama em discurso no Parlamento Australiano em novembro de 2011; e tem sido seguido por integração sempre crescente da Austrália na ofensiva militar e política dos EUA contra a China. Em novembro passado, depois que a China anunciou a implantação de uma “Zona Aérea de Defesa, com Identificação Obrigatória” incluindo os arredores das ilhas Senkaku/Diaoyu que China e Japão ainda disputam, a ministra de Relações Exteriores da Austrália Julie Bishop lançou contra Pequim uma das mais estridentes ‘denúncias’.


Em Janeiro, Bishop, em contradição com a opinião política convencional, segundo a qual a Austrália seria economicamente dependente da China, insistiu que, dados os profundos laços financeiros e o nível de investimentos norte-americanos, os EUA seriam, não só o mais importante parceiro estratégico da Austrália, mas também o mais importante parceiro econômico.
Esse ano está assistindo a um crescimento na atividade política, diplomática e militar em linha com os interesses dos EUA, e que já assumiu caráter cada vez mais beligerante.
Quando o MH17 caiu, dia 17 de junho, a reação inicial de Abbott foi, de certo modo, cautelosa, lembrando que os fatos do desastre ainda não estavam esclarecidos. Mas horas depois, na sequência de uma conversa com Washington, mesmo que nenhum fato tivesse ainda sido esclarecido, Abbott distribuiu declaração em que denunciava a Rússia como agente naquele caso – posição que todo o establishment político australiano continua a manter ao longo dos últimos três meses.
Quase desde o início já se discutia se a Austrália, nação anfitriã da próxima reunião do G20, deveria cancelar o convite feito ao presidente da Rússia. O assunto foi resolvido nos bastidores da reunião do FMI no fim de semana de 11-12 de outubro, quando os EUA deixaram claro que não aprovavam a exclusão de Putin. Mas o fator decisivo foi a clara oposição dos demais membros do Grupo BRICS – Brasil, Índia, China e África do Sul – àquele movimento. A Rússia, antes, já fora excluída de reuniões do G8, e os EUA entenderam que não seria possível repetir a exclusão do G20.
Mas os EUA decidiram que a retórica anti-Rússia deve ser intensificada em todas as oportunidades. E, nisso, a Austrália tem papel único. Como potência imperialista de nível intermediário, completamente dependente estrategicamente dos EUA e sem laços nem econômicos nem de qualquer tipo com a Rússia, a Austrália está disponível para atuar como uma espécie de cão de guerra a serviço de Washington, enquanto os EUA trabalham para manter a ação de dominação global. A única área onde poderia haver algum conflito seria a China. Mas essa questão já ficou resolvida pelo golpe contra Rudd, há quatro anos.
O novo papel global do imperialismo australiano também apareceu plenamente exemplificado no total apoio que a Austrália deu às novas intervenções norte-americanas no Oriente Médio. A Austrália foi um dos primeiros países a assinar a nova “coalizão dos dispostos/desejantes” de Obama, comprometendo sua força aérea para operações de bombardeio no Iraque, além de suas forças militares especiais.
Como parte desse papel no front político e militar, a Austrália também se envolveu pesadamente no serviço de fazer calar a oposição antiguerra, inventando uma ‘ameaça terrorista’ depois de outra, para amplificar a suposta ‘ameaça’ que viria do Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS/ISIL/EI). A maior operação policial na história da Austrália aconteceu dia 18/9/2014, supostamente para deter um complô do ISIS que culminaria numa decapitação pública. A ação foi freneticamente divulgada pelo Secretário de Estado John Kerry dos EUA, enquanto tentava mobilizar apoio do Congresso e internacional para a ação militar dos EUA. Os raids resultaram na prisão de apenas uma pessoa, que foi acusada da prática de ações só muito duvidosamente relacionadas a algum terrorismo.
Esse é outro aspecto chave do crescente militarismo do governo australiano, que também necessariamente manifesta processos globais – o empenho em projetar para fora do país tensões sociais crescentes.
O capitalismo australiano foi de certo modo isolado do impacto inicial da quebradeira financeira de 2008 – e por causa das conexões econômicas que mantinha com a economia chinesa em expansão. Mas agora os plenos efeitos da crise global estão chegando lá e, em alguns casos, com redobrada força, por causa do adiamento.
O boom da mineração, que foi crucialmente importante para sustentar a economia australiana já vai bem longe. Tem havido saques em minas de carvão, ao mesmo tempo em que a renda da venda de minério de ferro, que constitui 1/5 das exportações australianas e é item chave da arrecadação de impostos, está sendo duramente atingida pela queda dos preços, que só até aqui, esse ano, já chegou a 40%.
A desigualdade é crescente, os salários reais permanecem estagnados ou estão sendo cortados, e a pobreza está aumentando. Como se vê acontecer em todas as grandes potências capitalistas, o establishment político oficial é visto com crescente hostilidade por setores cada vez mais amplos da população.
Posta nesse contexto, a “cabeçada na camisa” de Abbott contra Putin é mais uma expressão do crescimento internacional do militarismo norte-americano, que tenta nos empurrar para outra guerra mundial, e que conseguirá o que tanto deseja, se não for contido pela ação política da classe trabalhadora em todo o mundo.

Viaje al centro del proyecto del ébola 'militar'


El proyecto secreto de la cepa 'militar' de ébola fue lanzado en Sudáfrica en la década de los 80. ¿Fue esta cepa de ébola lanzada deliberadamente?

Durante la época del apartheid en la década de 1980, el Dr. Wouter Basson lanzó en Sudáfrica un proyecto de armas biológicas secretas llamado Proyecto Costa, recuerda el portal de investigaciones independientes Old-Thinker News, y su autor, Daniel Taylor.
El objetivo del proyecto era desarrollar agentes biológicos y químicos que pudieran matar o esterilizar a la población negra y asesinar a enemigos políticos. Entre los agentes desarrollados se encontraban los virus Marburg y ébola.
De acuerdo con un artículo publicado en 2001 por la revista 'The New Yorker', la Embajada de Estados Unidos en Pretoria se mostró "terriblemente preocupada" ante la posibilidad de que Basson revele profundas conexiones entre la Costa del Proyecto y Estados Unidos.
En 2013 Basson fue declarado culpable por "conducta no profesional" por el Consejo de Salud de Sudáfrica. La experta en armas biológicas Jeanne Guillemin, investigadora principal en el Programa de Estudios de Seguridad en el 'Massachusetts Institute of Technology' escribe en su libro sobre las armas biológicas: "El proyecto se llevó a cabo en los años 1982-1987, cuando se desarrolló una gama de agentes biológicos, como el ántrax, el cólera y los virus Marburg y ébola y para la toxina botulínica […]".
El programa de armas biológicas de Basson terminó oficialmente en 1994, pero nunca se produjo una ninguna verificación independiente de que los patógenos creados fueron alguna vez destruidos. Según 'The Wall Street Journal', "la integridad del proceso recaía exclusivamente sobre la honestidad del doctor Basson".
Basson afirmó haber tenido contacto con las agencias occidentales que le proporcionaban "asistencia ideológica" en el Proyecto Costa. Basson dijo en una entrevista para el documental 'Guerra de Ántrax' que se reunió varias veces con el doctor David Kelly, el famoso inspector de armas de la ONU en Irak. Kelly, que era un experto en armas biológicas en el Reino Unido, fue encontrado muerto cerca de su casa en Oxfordshire en 2003. Aunque según la versión oficial, se suicidó, los expertos médicos lo dudan.
En un artículo publicado en 2007 en Mail Online, se informaba que una semana antes de su muerte, el doctor Kelly iba a ser entrevistado por el servicio de contraespionaje británico MI5 sobre sus vínculos con el doctor Basson.
Timothy Stamps, ministro de Salud de Zimbabwe, sospecha que su país estuvo bajo el ataque biológico durante la época en que operaba el doctor Basson. "Las evidencias de que no se trataba de fenómenos naturales eran muy claras. Deberíamos responder a la pregunta de si fue causado o no por alguna inoculación directa o deliberada", dijo Stamps en 1998.


Stamps denominó específicamente los virus ébola y Marburg como sospechosos, al suponer que su país estaba siendo utilizado como un campo de pruebas para 'el ébola militar'. "Ébola fue [encontrado] a lo largo de la línea del [río] Zambezi, y sospecho que esto puede haber sido un experimento para comprobar si un nuevo virus podría ser utilizado para infectar directamente a las personas", dijo.
A principios de septiembre, el rotativo 'The Ghanaian Times' señaló, coincidiendo con el reciente brote de ébola, la existencia de vínculos entre Basson y el desarrollo de armas biológicas. El artículo apunta que "hay dos tipos de científicos en el mundo: los que están tan preocupados por el dolor y la muerte causados a los seres humanos por la enfermedad que incluso sacrifican su propia vida para tratar de curar enfermedades mortales, y los que utilizan su habilidad científica para matar a seres humanos bajo órdenes de... gobierno... ".
Según lo revelado por 'The Age', el microbiólogo australiano y premio Nobel Sir Macfarlane Burnet instó secretamente al Gobierno australiano en 1947 a desarrollar armas biológicas para utilizarlas contra los "países superpoblados de Asia sudoriental." En una reunión celebrada en 1947, el Comité estatal de desarrollo de nuevas armas recomendó que "las posibilidades de un ataque sobre los suministros de alimentos de Asia sudoriental e Indonesia con el uso de agentes biológicos deberían ser considerado por un pequeño grupo de investigación".
"Esta información nos arroja una interesante perspectiva sobre el reciente brote de ébola sin precedentes. ¿Es un fenómeno natural orgánico? ¿Pudo haber escapado accidentalmente esta cepa de ébola de un laboratorio de armas biológicas? ¿O acaso fue soltada deliberadamente?", concluye Daniel Taylor.

Actualidad RT

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Los soldados israelíes son peores que los terroristas de Daesh


La parlamentaria israelí Hanin Zoabi afirmó el domingo que no hay ninguna diferencia entre los integrantes del grupo terrorista EIIL (Daesh, en árabe) y los soldados israelíes; ambos asesinan sin límite ni líneas rojas.

"Ellos (EIIL) matan a las personas una por una con un cuchillo y el ejército israelí aprieta un botón y mata a docenas de palestinos", se lamentó Zoabi en una entrevista el con el Canal 2 Online.
Según este miembro árabe del parlamento israelí, un piloto israelí no dista de un terrorista que toma un cuchillo y comete una decapitación.
"En Irak y Siria, ellos (los terroristas de Daesh) toman fotos con un cuchillo y aquí ellos (los soldados israelíes) posan con cadáveres y en las zonas bombardeadas y se rién también", agregó. Zoabi prosiguió que los fusiles M-16 y los bombardeos matan más que un cuchillo.
Los comentarios causaron un gran revuelo en todo el espectro político israelí; la diputada Miri Regev, del partido Likud Beitenu, ha calificado a Zoabi de peligrosa enemiga del régimen de Tel Aviv que merece estar en la cárcel.

nab/nii/ HispanTv

Ucranianos vão congelar sem gás russo?


Impasse e conversas no ar, em Milão
Alexander Mercouris, in (novo) Vineyard of the Saker -Tradução: Vila Vudu

Ainda estão chegando notícias da reunião de Milão, mas já é claro que não houve qualquer avanço e que a crise ucraniana permenece em impasse. Poroshenko disse que teriam sido definidos os “parâmetros” de um acordo para o gás, mas parece que nada disso sequer se aproxima da verdade.
O comentário mais absurdo do dia veio de van Rompuy, que falou de “progressos”, porque Putir teria dito que não deseja um conflito congelado na Ucrânia ou que o leste da Ucrânia torne-se outra Transdniestria. Para ver o absurdo desse ‘comentário’ basta imaginar Putin a dizer solenemente aos europeus o contrário: que quer um conflito congelado na Ucrânia e que o leste da Ucrânia torne-se outra Transdniestria!
Não é a primeira vez que se vê Putin como um grande homem cercado de homúnculos.
Como me parece, a ideia de um café da manhã para reunir Putin e líderes europeus partiu de Merkel. Com as economias alemã e europeia afundando, em parte por causa das sanções que ela própria impôs, Merkel precisa que a crise chegue ao fim. Ao mesmo tempo, continua muito temerosa de assumir o lado dos EUA e de seus alidado europeus, os Atlanticistas, dentro da Alemanha. Assim sendo, espera que Putin a tire da enrascada em que ela própria se meteu. Porém, porque absolutamente não está preparada para enfrentar os EUA e seus aliados ou os Atlanticistas, Merkel quer que Putin, para salvá-la da confusão em que está, capitule e desista de todas as suas [de Putin] demandas. Está tentando fazer isso com ‘pressão’ aplicada a Putin (o tal café da manhã foi organizado exclusivamente para essa finalidade). No final, parecia furiosíssima, quando o ‘plano’ não funcionou.
Acostumada a abusar de outros líderes europeus e sempre se safar, é como se Merkel, quando tem de enfrentar alguém do tamanho dela, fique sem saber o que fazer. Faz-me lembrar Obama, que saiu da sala também furioso e desorientado, depois de ter de encarar Putin, há dois anos, numa reunião na qual discutiram a crise síria.
Fato é que, enquanto a economia europeia e alemã afunda, a economia russa continua a crescer, apesar de os preços do petróleo terem caído, enquanto ganha impulso a desintegração da Ucrânia. Na política, na diplomacia e na guerra é indispensável saber quando bater em retirada, antes de que a situação degenere completamente. Os europeus não dão sinais de ter essa competência ou essa compreensão; significa que estamos de cara para confusão grave.

As conversações sobre gás, em Milão
Já há mais informação sobre as conversações do gás em Milão e o quadro que pintam é bem feio.
Já desde junho os russos dizem que o preço contratual do gás a ser fornecido à Ucrânia é de $485/1000, mas que estão preparados para oferecer desconto temporário de $100/1000, o que reduziria o preço do gás fornecido à Ucrânia nesse inverno para $385/1000 – sob a condição de que a Ucrânia pague a conta atrasada e pague adiantado pelo gás que comprar.
Os russos nunca alteraram essa posição. Os ucranianos nunca pararam de rejeitar completamente a proposta.
Parece-me que a posição dos ucranianos é de que o preço “correto” para o gás russo seriam os $269/1000 que Yanukovitch obteve graças aos descontos que negociou com Putin em dezembro passado. Os ucranianos insistem que todos os atrasados devam ser recalculados por esse preço; e que só considerarão a possibilidade de pagar o que devem depois desse novo cálculo. Durante as negociações, sob pressão dos europeus, disseram que aceitariam pagar preço superior, temporariamente (alguma coisa como $320/1000), até que a disputa seja resolvida. Mas insistem que pagamentos feitos durante a vigência desse preço sejam considerados como pagamento por gás ‘novo’, a ser fornecido por esse preço, não como pagamento de atrasados.
Não vou discutir aqui em detalhes a posição perfeitamente absurda dos ucranianos sobre um preço ‘correto’, que ameaça até um preço com desconto oferecido a Yanukovitch em troca de condições que a Ucrânia nunca cumpriu; e que é apresentado como se pudesse substituir preço fixado em contrato legal e vigente. Creio que ninguém, além de alguns ucranianos, acredita nessa ‘correção’. Os europeus com certeza sabem que nada há aí de ‘correto’.
Seja como for, e voltando ao que aconteceu em Milão, um dos maiores mistérios, para mim, sobre os políticos ucranianos, é que, por mais durões que se mostrem em público contra a Rússia, no momento em que têm de realmente negociar com Putin frente a frente as questões do gás, todos eles imediatamente esquecem toda a esperteza e convertem-se em negociadores espetacularmente péssimos. Já aconteceu com Tymoshenko em 2009; e estamos vendo acontecer outra vez, com Poroshenko, em Milão.
Resumindo, no começo do dia Poroshenko disse que já haveria acordo sobre “os parâmetros” de um acordo de gás com a Rússia. Foi o que bastou para uma rápida onda de manchetes esperançosas, incluindo declaração de Hollande, de que os dois lados já teriam praticamente superado todas as diferenças.
Conforme o dia avançou, entendeu-se que os “parâmetros” que Poroshenko dizia que teriam sido acordados com a Rússia eram os mesmos da proposta russa original. Em outras palavras: Poroshenko capitulou, talvez sem nem perceber o que fizera, ante o que Putin o mandou fazer.
Putin até disse que a única questão ainda remanescente é como a Ucrânia obterá o dinheiro para pagar pelas obrigações que acabara de assumir. Sugeriu que que os europeus pagassem pelo gás ucraniano e pelos atrasados, ou diretamente ou valendo-se de mais um empréstimo pelo FMI. É algo que os europeus, vale lembrar, sempre se recusaram a fazer.
Até que, afinal, Poroshenko parece ter compreendido que os tais “parâmetros” com os quais ele concordara eram, simplesmente, o que a Rússia sempre exigira. Então, sua reação foi sair furioso da sala onde estivera em reunião arranjada às pressas com Putin, e anunciar que não, não havia acordo algum sobre “parâmetro” algum.
Putin, por sua vez, só faz não arredar pé da posição dos russos, e anunciou publicamente que a Rússia não fornecerá gás à Ucrânia para receber a crédito (que é, afinal, a única coisa que se lê na ‘contraproposta’ dos ucranianos)propõe na what the Ukrainian counter proposals amount to), e que essa posição dos russos “é a última palavra”.
O que se vê pois é um impasse, sem progresso algum, apesar das manchetes que circularam durante o dia. Poroshenko só fez aparecer como perfeito idiota ante os presidentes europeus e asiáticos; e as conversações sobre gás, agendadas para 21/10/2014, só ficaram mais difíceis.
Antes de partir para Milão, Putin disse que a Rússia reduziria o volume de gás bombeado através da Ucrânia, caso a Ucrânia começasse a roubar gás destinado a outros clientes. É o que a Rússia fez em 2009, e não tenho dúvidas de que fará novamente. A menos que os europeus deem um ultimato a Poroshenko e o forcem a aceitar a oferta dos russos, o que se vê pela frente é redução no fornecimento.

sábado, 18 de outubro de 2014

Pegue a conexão do Transiberiano


Pepe Escobar, Asia Times Online – Tradução: Vila Vudu

Um espectro assombra as elites do Império do Caos: a nova parceria estratégica Rússia-China. E ela tem-se manifestado sob miríade de formas – negócios de energia, negócios de investimentos, aliança política mais próxima dentro do G-20, dos BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai, no esforço concentrado para deixar para trás o petrodólar. Já descrevi esse longo processo como essencial ao nascimento do século eurasiano.

De um ponto de vista de Washington/Wall Street, era tão mais fácil naqueles idos, há muito tempo, bons tempos de mundo unipolar, com “fim da história”! A China ainda tateava pelas beiradas do rio da acumulação capitalista, e a Rússia estava caída, se não fora do jogo. Permitam-me pois um flashback até os primeiros anos da década dos 1990s.
Eu estava já há meses na estrada, pela Ásia, de todos os cantos do sudeste da Ásia até Índia, Nepal, os Himalayas e o litoral, no leste da China. Até que finalmente cheguei a Pequim – esperando, no amargo inverno do início de 1992, tomar o trem Transiberiano para Moscou. Eu mal ouvira falar do colapso da União Soviética – que absolutamente não era item de noticiário nos Himalayas. Também tive a sorte de estar no sul da China, apenas alguns dias depois que Deng Xiaoping fez seu famoso tour – cuja consequência chave foi catapultar o dragão para os mais inebriantes píncaros do desenvolvimento. Uma rápida passada de olhos por aqueles tempos alucinantes pode ter o mérito de iluminar nosso presente.

All aboard the night train/Todos a bordo do trem noturno

São 8h32 na Estação Ferroviária de Pequim e o Trem Transmandchuriano 19 para Moscou está de saída. 9 graus Celsius negativos. Um bando de romenas enlouquecidas tenta meter mais de 20 sacos enormes vagamente verdes, estufados de coisas Made-in-China, para dentro dos vagões. O controlador russo ruge um "Nyet". As dondocas romenas mergulham em histeria transilvânica. Até que um maço de George Washingtons troca de mãos no último apito, bem em tempo de soldados do Exército de Libertação Popular e policiais femininas com a inevitável faixa vermelha no braço e os dizeres “Servir ao Povo” constatarem impassíveis o feliz desfecho.
Uma cacofonia de russos, poloneses, romenos, checos e mongóis entupira os corredores do trem com dúzias de sacos, pacotes, sacolas. 300 kg de sapatos. 500 kg de casacos. 200 kg de camisetas. Milhares de potes de cremes de beleza que fariam furor de Bucareste até Cracóvia. “Cama” no trem é uma concavidade sobre algum dos pacotes. Assunto para seis dias, cruzando os 9 mil nevados quilômetros da ex-URSS, hoje Rússia, de leste a oeste.
Na cabine do condutor, mais sacos – cujos conteúdos serão vendidos pelas ruas de Moscou. Com tantos George Washingtons à vista, o sucesso do bazar delas está garantido – e como não, com tantas paradas no caminho e mercado “livre” absolutamente não regulado em cada plataforma? Toda a Europa Oriental está cheia de mercadorias e louca para fazer dinheiro rápido.
No trecho chinês da jornada nada acontece, diferente dos anos 1930s, quando o Japão ocupou a Mandchúria, instalou o fantoche Pu Yi no trono e estava pronto para tomar toda a Ásia. A ação do Terminator começa em Zabaikalsk, na fronteira russo-chinesa – depois que se cruza um imenso Arco do Triunfo em cimento, adornado pelo símbolo leninista então ainda não destruído da foice e martelo. A alfândega – dos dois lados – está absolutamente deserta.
O trem muda as configurações para adaptar-se aos novos trilhos. Mas todos os olhos estão postos no vagão-restaurante; saem os chineses, que só ofereciam porco com molho de soja; entram os russos, cheios de goulash, sopas, salames, peixe congelado, caviar negro, champagne da Crimeia, café, ovos, até queijo – tudo do mercado negro, pago com dólares norte-americanos.
Com a fronteira já deixada para trás, é tempo de bazaar a go-go. Todos enlouquecem no mesmo momento, porque instantaneamente saímos do horário de Pequim e entramos no horário de Moscou. O sol nasce à 1h da madrugada. O mercado negro faz $1 = 110 rublos, o rublo em queda livre, enquanto vamos rasgando o sublime infinito deserto branco nevado da tundra siberiana, onde cada espetacular raiar do sol, sob uma névoa no ar ártico é uma epifania celebrada com mais e mais champanhe da Crimeia.
Ocasionalmente se veem renas e até huskies. A taiga – disputada por Japão, Coreia e EUA – está envolta em neve. Por ali jazem os fantasmas dos 20 milhões de cadáveres dos gulags de Stálin, caçadores do raro tigres Amu (restam menos de 200) e o sinistro complexo Norilsk; 2 milhões de toneladas/ano de ácido sulfúrico e metais pesados lançados à atmosfera – causa daquela névoa ártica.
O trem para por 15 até 20 minutos, alcançando o máximo em Novosibirsk e Perm, onde antigamente houve um famoso gulag. Em cada parada, hordas de russos em modo Genghis Khan com pequenos sacos plásticos. O melhor negócio no Transiberiano são anoraks e jaquetas de couro. Jao, de Pequim, vende 50 em três dias, por até US$50 cada; ela pagou $20 por cada um, nos hutongs de Pequim. Os russos compram tudo o que haja a vista e vendem rublos – que já chegam agora a 160 por dólar dos EUA –, além de vodka, cerveja, salame, champanhe e garrafas de Pepsi local por $1.
Todo o leste europeu embarcou no Trem 19. Romenos pós-Ceausescu são os mais exuberantes, de lutadores de boxe a cafetões e um gângster aprendiz em roupa de ginástica, vangloriando-se das duas horas que passou com uma boneca russa por $10 (o preço corrente é $20). Há um contingente de albaneses, jovens estudantes poloneses, nômades mongóis contando fervorosamente os lucros, babushkas semimortas de tédio e até um muito falante dandy chinês.
Os vagões russos, antes elegantes, são só confusão: ar pesado, denso de fumaça de cigarros, cheiro de suor, banheiros cheios de sacos e sacolas, e “Kapitan”, o único garçom, tentando ganhar algum rápido, vendendo parafernália soviética. Para mim, o cenário ideal pra devorar as quase mil páginas de Harlot's Ghost [O fantasma da prostituta], de Norman Mailer, uma história da CIA.

Ponha a culpa na glasnost

O Trem 19 não é só um bazar, mas também uma ágora multinacional. Jovens russos elaboram sobre como a quase genial perversidade do sistema soviético levou-o a empurrar até o limite todos os problemas das modernas sociedades industriais – sem oferecer quase nenhum dos seus benefícios. Europeus ocidentais dizem que não foi a Guerra Fria que pôs fim ao “socialismo real”; foi a invasão da economia capitalista combinada com a ineficiência e a “estupidez” (copyright by um ginasiano polonês) da economia socialista.
Russos dizem que a glasnost pôs fim à autoridade e a perestroika pôs fim à economia – e nada há que substitua qualquer delas. Resultado final: graduados em física vendendo latas de caviar num trem em movimento, para sobreviver. Todos elogiam Gorbachev mas, essencialmente, o condenam a rápida nota histórica de pé de página. No trem, ouvi argumentos que reencontraria reproduzidos, anos depois, em incontáveis ‘ensaios’ de acadêmicos norte-americanos.
Todos os que pilotam o Transiberiano exibem uma solidariedade que não se vê na ONU; fazem câmbio de moedas, trocam endereços, emprestam dinheiro e as indispensáveis máquinas de calcular, ajudam a carregar e a descarregar a matula, aceitam acomodar pacotes na sua cabine, oferecem suas cabines por meia hora para os que só têm o corredor para dormir, e contam piadas sobre as pequeninas notas de Yuan do Banco da China. Todos são ardentes defensores dessa forma de democracia direta da qual não se fala, que é sinônimo de fim da Guerra Fria.
Em pleno cassino, opera o mais improvável dos personagens, Lulu, bangladeshiano baixinho, sempre agarrado à sua mala Samsonite, mergulhado em sabe Alá que tipo de atividades misteriosas, passaporte cheio dos vistos mais suspeitos, inclusive da Arábia Saudita. Chineses e russos o tratam como se fosse um pequinês que lhes provocasse alergia. A comida no trem é previsivelmente insuportável para aquele muçulmano estrito, que nos acorda todos às 5h da manhã com suas orações. Rashid Muhammad passou seis dias literalmente a pão e água.
Skolka [ru. “Quanto custa”?]. Eis o motto do bazaar transmandchuriano, prévia de Moscou. Pink Floyd lançou o legendário Dark Side of the Moon no auge da era Brejnev; os subúrbios de Moscou se parecem com o fantasmagórico lado escuro da lua. O legado lunático de Stalin só é aliviado por um solitário quiosque que vende flores, frutas ou o doce brandy da Geórgia.
Chegamos como zumbis – com apenas poucas horas de atraso – a Yaroslavlsky Vakzal, uma das nove estações de trens de Moscou, onde um dilúvio de táxis Volga disputam a preciosa carga chinesa. Quem viaje para o Leste da Europa sem reservas, danou-se: há espera de 40 dias para comprar bilhetes para Varsóvia e Berlim.
Em Shenzhen, Guangzhou, Xangai e Pequim, testemunhei o espetacular sucesso do “socialismo de mercado” chinês pós-Tiananmen, no qual a economia era a locomotiva e a política era despachada para o fundo do fundo do último vagão. Nada mais espantoso que o contraste com Moscou, onde a política era a locomotiva.
Fico hospedado na casa de Dmitri, estudante de odontologia, distante três estações de metrô, do Kremlin, e pagando $6 por dia, uma pequena fortuna; ele e a namorada subdividem precariamente o apartamento de dois quartos, um banheiro e uma família inteira, cachorro incluído, além de ocasionais hóspedes ocidentais, os quais dormem no quarto principal. A isso se chama viver como classe-média alta.
Nas belas estações do metrô, volta a funcionar o bazaar transiberiano. Vendem-se samizdats, ou políticos ou pornôs, roupas de segunda-mão, garrafas de praticamente qualquer líquido. Só quando chego à Praça Vermelha vejo a luz. Nos Himalayas e na China, meu fuso horário ainda acompanhava Gorbachev. No topo do Kremlin vê-se uma bandeira da Rússia – e também no centro da praça Dzerzhinsky, em frente à KGB. Como perfeito idiota, procuro pela estátua de Felix Dzerzhinsky, ex-comandante da polícia secreta soviética, só para ter de ouvir de um estudante, que a estátua foi derrubada há algumas semanas. Gorbachev já é marca de vodka. E não me deixam entrar no prédio da KGB.


Toda a cidade está convertida num gigantesco bazaar turco. Depois que Boris Yeltsin liberou as calçadas, todos só querem exercitar a tal privatizatsiya de cada um. Até 1990, ninguém sabia o que eram talão de cheque ou cartão de crédito, e $1 equivalia a 1 rublo. Há mercados de rua absolutamente inacreditáveis na rua Prospekt Marka e Gorki, todos silenciosamente em fila mostrando as mercadorias: uma boneca quebrada, um solitário pé de sapato, empoeiradas garrafas de champanhe, perfume, café solúvel, latas de sardinha, uma garrafa vazia de cerveja.
As ruas estão cobertas das coisas trazidas pelos viajantes do Transiberiano, mas os supermercados estão vazios. Há pouco leite e pouca carne, mas montanhas de peixe enlatado e filas intermináveis de gente para comprar nada – os potenciais consumidores já resignados a continuar jogando xadrez.
O maior sucesso na cidade é a nova loja McDonald's na praça Pushkin – das mais cheias do mundo, vendendo refeições completas a 50 cents, por caixas que exibem, todas, sorriso de Eva Herzigova. Em frente ao MacD, um Gorbie de papel faz pose para turistas e uma multidão vende latas de caviar a $5 e champanhe a $3. Na GUM, loja de departamentos, não há muita coisa exceto uns poucos showrooms de Sony e Honda e uma nova vitrine de Dior.
O passado recente resiste: é impossível telefonar para a Europa. É impossível enviar um fax da agência dos Correios. É impossível fazer uma reserva de trem. É impossível fazer uma reserva de avião (pelo menos na loja da Aeroflot em Lubyanka; só no cavernoso Intourist Hotel).
No lúgubre piso térreo do Mockba Hotel, personagens surdo-mudos saídos diretamente de uma peça de Ionesco enchem os corredores, enquanto um mercado negro de cerveja opera sem parar em frente ao bar do hotel. Uma taça de champanhe, 50 cents. No hall do legendário Metropol – Grand Dame preferido de Trotsky em 1899 – um dry martini custa caríssimos $7,70. O Metropol é a nova Wall Street; dinamarqueses, italianos, norte-americanos e chineses discutem todos os negócios desse lado de um Bravo Novo Mundo derrubando Heinekens a $5 cada.
No Dia das Forças Armadas, domingo, há uma manifestação de comunistas, reprimida com tato, com muitas velhas senhoras carregando flores e bandeiras. Correspondentemente, os punks de Moscou com bandeiras anarquistas protestam contra as Forças Armadas. Um Volga pré-histórico leva-me a Sheremetyevo como se eu estivesse correndo pelo cenário de um filme-B de Guerra Fria dos anos 1950. O Volga engasga, para, morre, corre, engasga, para outra vez, morre: metáfora da nova Rússia, e quase perdi o SU 576 da Aeroflot de volta a Paris.

Nada nunca mais voltará a ser o que (unipolar) foi

Era assim, naqueles dias. Aquele McDonald's – símbolo da Pax Americana unipolar, “fim da história” – foi recentemente fechado. É cada vez mais e mais difícil para o Império do Caos, governar sozinho o mundo enquanto McDonald's serve búrgeres. Do outro lado da praça Pushkin, o super da moda Cafe Pouchkine serve hoje o melhor da haute cuisine russa.
E ainda assim ambas, Rússia e China, são vistas como párias pela elite imperial unipolar. Como se todos tivéssemos ficado congelados naqueles dias do início da década dos 1990s. Rússia e China podem ter mudado muito, a ponto de já nem serem reconhecíveis, – mas para o Império do Caos as prioridades são esfacelar a Rússia em mil pedaços, a começar com a Ucrânia, e “pivotear-se” para a Ásia, via um eixo militar-econômico anti-China no Pacífico Ocidental.
Entrementes, o Transiberiano em breve terá conexão com as Novas Rotas da Seda comandadas pelos chineses. Então, um dia, no início da década dos 2020s, haverá uma rede de trens de alta velocidade interligando ligando a Eurásia num flash. E nada nunca mais voltará a ser o que (unipolar) foi. Exceto o champanhe da Crimeia, que voltou a ser russo.

"No es el ébola, sino Washington, lo que es una plaga para el mundo"


El líder moral del mundo es Rusia y no Washington, opinó Paul Craig Roberts, quien fuera asesor del expresidente estadounidense Ronald Reagan.

Roberts hizo esa reflexión presentando en su página web las declaraciones del presidente Putin en su conferencia de prensa de Serbia y la transcripción del discurso del canciller ruso Serguéi Lavrov ante la ONU
El analista político recordó que en los últimos 13 años los "estadounidenses han permitido a su Gobierno bombardear a niños, mujeres y ancianos en siete países justificándose con mentiras y persiguiendo los intereses de la élite".
Recalcó que Washington ha aplicado uranio empobrecido en muchos lugares causando defectos congénitos y problemas de salud.
"Debemos recordar que Washington es el único Gobierno que usó armas nucleares contra civiles", escribió.
Refiriéndose al concepto de 'excepcionalismo' de los estadounidenses, planteado por Barack Obama, Roberts notó que Washington se ha declarado por encima de su Constitución y el Derecho Internacional.
En clara referencia a las concertadas sanciones antirrusas, describió a Europa y Japón como títeres cuyos líderes son pagados por su sumisión a Washington.
"Los rusos han acabado con la tiranía, mientras EE.UU. está cayendo en ella. La barbaridad de Washington en el mundo no tiene precedentes", comentó Roberts.
Mencionó la advertencia que el presidente ruso Vladímir Putin "hizo al tonto de la Casa Blanca" en su entrevista concedida a un medio serbio esta semana.
"Que Obama recuerde las consecuencias que discordias entre los mayores poderes nucleares conllevan para la estabilidad estratégica es una fuerte demanda a que el tonto de la Casa Blanca cese su agresión contra Rusia", subrayó Roberts.
"No es el ébola, sino Washington, lo que es una plaga para el mundo", escribió Roberts.
"EE.UU. tiene 238 años pero se comporta como si tuviera dos", agregó.

Actualidad RT

Ejército sírio recupera el pueblo de al-Ybeiliya en el campo de Alepo y acaba con mercenarios en el campo de Idleb


Unidades del ejército dejaron muertos o heridos a terroristas en el barrio de al-Waer.
Una fuente militar informó que atacaron concentraciones de terroristas en los pueblos de al-Sultaniya y al-Msherfe en el campo de Homs, causando muertos en sus filas.
Por otro lado, las FFAA frustraron intentos de infiltración de terroristas desde los pueblos de Masaada, Um al-Rish, Mazin al-Bakar en las aldeas de al-Masudiya e Yib al-Yarah en el campo de la provincia, infligiendo bajas y heridos en sus filas.

FFAA retoman el control de un pueblo en el campo de Alepo
En el campo de la provincia norteña de Alepo, las FFAA lograron retomar el control de la totalidad del pueblo de al-Ybeiliya y todas las instalaciones vitales en sus proximidades.

Ejército acaba con mercenarios y les destruye aparatos de trasmisión satelital en el campo de Idleb
Las FFAA acabaron con terroristas mientras trataban de atacar un puesto militar en la periferia de la localidad de Bsankul en el campo de Idleb, informó una fuente militar.
La fuente añadió que una unidad del ejército eliminaron a terroristas al bombardear posiciones suyas en la periferia de la localidad de Sarakeb en el campo de Idleb. Entre los terroristas eliminados figuran mercenarios de diferentes nacionalidades extranjeras.
Asimismo, las FFAA atacaron un refugio de terroristas del llamado “Movimiento de Hazem” en las proximidades de la localidad de Khan al-Sabel, y les destruyeron aparatos de trasmisión satelital.

Ejército hace frente a terroristas que intentaban penetrar en zonas seguras en el campo de Deraa
En el campo de Deraa, las FFAA hicieron frente a terroristas que trataban de infiltrarse en la localidad de Atman, y desde esta última en Tafas, causando muertos y heridos en sus filas.

Ejército impone su completo control sobre la aldea Ybeilyah en el campo de Alepo
Unidades del Ejército y de las fuerzas armadas impuso su completo control sobre la aldea Ybeilyah y las instalaciones vitales que las rodea en el campo de Alepo.
Una fuente militar confirmó a SANA que las instalaciones que fueron liberadas y recontroladas son la Planta de Cemento, la Empresa de Vidrio y las Molinas.
La fuente agregó que las fuerzas armadas siguen cumpliendo sus deberes en aquella zona.

Eliminados terroristas en los campos de Homs e Idleb
Destacamentos del Ejército infligieron grandes pérdidas entre las filas de los terroristas en varias zonas y localidades de Homs e Idleb.
Una fuente militar le confirmó a SANA que unidades del Ejército y de las fuerzas armadas abatieron a numerosos terroristas e hirieron a otros en la periferia de Hloz, Kafar Nayd y Al-Rami en la campiña de Idleb.
La fuente agregó que otras unidades eliminaron a terroristas en la Zona Industrial y en los alrededores del Monumento Conmemorativo en Al-Rastan y en Tal Al-Mshirfa y Al-Sultanyah en el campo de Homs.


Abortado un intento de infiltración terrorista en el campo de Deraa
Escuadras del ejército y de las fuerzas armadas arrasaron a numerosos terroristas dejando la mayoría de ellos entre murtos o heridos, además de destruirles sus armas y municiones en varias zonas del campo de Deraa.
Una fuente militar confirmó a SANA que unidades del ejército y de las fuerzas armadas eliminaron a terroristas en Tal al-Hara y en los alrededores de Um Al-Mayazen y Al-Taibeh, así como destruyó a un cañón de morteros y una blindada y dos cañones antiaéreos.
La fuente agregó que otras unidades abortaron intentos de infiltración terrorista desde la localidad de Atman y al Edificio de Al-Kawabel al oeste de la localidad Atman hacia Tafas eliminando a numerosos de ellos.

Exterminados terroristas en los campo de Hama, Idleb y Alepo
Ejército exterminó a decenas de terroristas tras una serie de operaciones contra las organizaciones terroristas en numerosas zonas, localidades y campo de Hama, Idleb y Alepo.
Una fuente militar confirmó a SANA que unidades del ejército y de las fuerzas armadas al atacar concentraciones y escondites de la organización terroristas Estado Islámico en Kshish dejó a decenas entre muertos o heridos además de destruir varios vehículos en Keptan Al-Yabal en el campo de Idleb.
La fuente agregó que otras unidades del Ejército arrasó a numerosos terroristas e hirió a otros en Morek, Kafar Zaita y Latmin en la campiña de Hama, mientras que otras escuadras eliminaron a terroristas y destruyeron sus vehículos entre Saraquib y Maraat Al-Numan en el campo de Idleb.

Lynn A., Ghifar Al.- SANA

Compatriotas del Golán sirio ocupado reiteran su adhesión a la nacionalidad siria


Los vecinos del Golán sirio ocupado reafirmaron que “el Golán era y seguirá siendo sirio y que la ciudadanía árabe siria se transmite de padres a hijos”.

En un comunicado emitido este viernes y leído durante una masiva concentración en la plaza de Sultan Pasha al-Atrash en el centro del poblado de Majdal Shams, los compatriotas golaneses aseguraron que seguirán resistiendo y abortarán todos los planes sionistas que atentan contra la tierra y el pueblo del Golán.
El comunicado negó categóricamente las recientes declaraciones hechas por el diputado sionista Elite Shaked, en las que alegó que un número de dignatarios del Golán pidió que se otorgara a los golaneses la ciudadanía israelí.
Los golaneses aseguraron que estas declaraciones son fabricadas y vienen en el marco de los intentos de las autoridades de la ocupación de pasar los planes sionistas encaminados a debilitar la posición fija de los golaneses.

Fady M., Lynn A. - SANA

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O único objetivo dos EUA pode ter sido destruir a Síria


Moon of Alabama – Tradução: Vila Vudu

Estudos feitos pela CIA, encomendados em 2012 e 2013, demonstraram que armar “rebeldes” em guerras civis é tática que quase sempre fracassa. Quando esse tipo de operação dá certo, de algum modo, como no Afeganistão contra os soviéticos, é quase sempre impossível evitar o revide. O governo Obama fez vazar essa história agora, como argumento contra as críticas que suas atuais políticas na Síria têm recebido; o governo Obama, como se sabe, já desistiu do Exército Sírio Livre e está querendo inventar outro exército.

Cientistas políticos já sabem há bastante tempo que armar ‘rebeldes’ é sempre ou quase sempre péssima política:
Em geral, apoio externo a rebeldes quase sempre torna as guerras mais longas, mas sangrentas e mais difíceis de resolver (..). Pior: como demonstrou David Cunningham da Universidade de Maryland, a Síria tinha todas as características do tipo de guerra civil na qual o apoio externo a rebeldes é menos efetivo.
Mas se o governo Obama sabia que armar rebeldes era má política, por que os EUA começaram a armar rebeldes em junho de 2012? E por que continuam a armá-los? E por que continuam a permitir que Israel e Qatar continuem a armá-los?
Dan Froomkin sugere que tudo se deva às políticas eleitorais. Não armar os ‘rebeldes’ ...
... seria mostrado pela imprensa-empresa da elite – para nem falar da Fox News – como rendição, e provavelmente custaria aos Democratas mais algumas cadeiras na Câmara de Representantes e no Senado.
Também pode ter sido política comandada pela ânsia intervencionista de liberais e neoconservadores, sempre aflitos para ‘fazer alguma coisa’ – quer dizer, sempre em busca de autossatisfação autoindulgente.
Ou, então, o plano jamais foi vencer a guerra. Se o único objetivo sempre foi “destruir a infraestrutura e o tecido econômico e social da sociedade síria”... nesse caso, sim, armar qualquer tipo de ‘rebelde’ – e não faz diferença quem seja o ‘rebelde’ – foi e ainda é política não insana e bem-sucedida.

Sergey Lavrov na ONU: “Ninguém tem o monopólio da verdade”


Sergey Lavrov, Ministro de Relações Exteriores da Rússia, Discurso à ONU - Tradução: Vila Vudu

“Senhoras e senhores,

Há crescente evidência hoje de uma contradição entre esforços coletivos e deliberados na direção de desenvolverem-se respostas adequadas a desafios comuns de todos nós, e a aspiração, de alguns estados, por dominação e por fazer ressuscitar um arcaico pensamento de bloco, baseado na disciplina militar e numa lógica errada de amigo ou inimigo.
A aliança ocidental liderada pelos EUA que se autoapresenta como campeã da democracia, do estado de direito e da defesa de direitos humanos em vários países, age de uma posição diametralmente oposto na arena internacional, rejeitando os princípios democráticos da igualdade soberana entre todos os estados, e sempre tentando decidir, pelos demais, o que é bem e o que é mal.
Washington declarou abertamente seu direito ao uso unilateral de força militar onde bem entenda, para fazer avançar seus próprios interesses. A interferência militar tornou-se norma, apesar do lamentável resultado de todas as ações de força que os EUA empreenderam nos últimos anos. A sustentabilidade do sistema internacional foi severamente abalada pelo bombardeio, pela OTAN , contra a Iugoslávia, pela intervenção militar no Iraque, pelo ataque contra a Líbia e pelo fracasso no Afeganistão.
Só graças a intensos esforços diplomáticos foi possível impedir mais uma agressão, daquela vez contra a Síria, em 2013. Há uma impressão involuntária de que o objetivo das várias ‘revoluções coloridas’ e outros projetos para derrubar governos que não interessem aos EUA, é criar cada vez mais caos e instabilidade. Hoje, a vítima dessa política arrogante é a Ucrânia. A situação ali mostrou as falhas sistemáticas, profundamente enraizadas, da arquitetura ainda prevalecente na área euro-atlântica. O ocidente embarcou num curso rumo à estruturação vertical da humanidade, talhada pelos seus próprios padrões, que estão muito longe de serem inofensivos.
Depois de terem declarado vitória na Guerra Fria e, logo depois, o chamado “Fim da História”, os EUA e a União Europeia optaram por expandir a área geopolítica sob controle deles, sem qualquer atenção à necessidade de preservar o equilíbrio entre os interesses legítimos de todos os povos da Europa. Os parceiros ocidentais não deram ouvidos aos nossos inúmeros avisos, de que seria inadmissível que violassem os princípios da Carta da ONU e o que determina o Helsinki Final Act. Repetidas e repetidas vezes recusaram-se a qualquer trabalho conjunto para estabelecer um espaço comum de segurança e cooperação iguais e indivisíveis, do Atlântico ao Oceano Pacífico.
A proposta russa para a redação do Tratado de Segurança Europeia foi rejeitada. Disseram-nos diretamente que as garantias legais de segurança comum a todos só ‘garantem’ os membros da Aliança da Atlântico Norte. Hoje, continuam a avançar para o leste, apesar de todas as promessas de que não fariam o que estão fazendo.
A mudança instantânea da OTAN, para uma retórica de hostilização, para o fim de qualquer cooperação com a Rússia, até em detrimento de interesses do próprio ocidente, e a construção de infraestrutura militar junto às fronteiras da Rússia revelam a incompetência da aliança, que não consegue alterar o código genético com o qual foi inventada durante a Guerra Fria.
O golpe de Estado apoiado por EUA e União Europeia na Ucrânia e convertido em ‘justificativa’ automática para todos e quaisquer atos das autoproclamadas autoridades em Kiev, que optaram por suprimir pela violência a parte do povo ucraniano que rejeitou todas as tentativas para impor no país uma ordem anticonstitucional e decidiu defender seu direito aos próprios idioma, cultura e história. É precisamente o assalto agressivo contra esses direitos que ajudam a população da Crimeia a tomar o próprio destino nas mãos, e fazer suas escolhas na direção da autodeterminação.
Foi escolha absolutamente livre, não importa o que tenham inventado os mesmos que são responsáveis básicos pelo conflito interno na Ucrânia. Esforços gerais para distorcer a verdade e ocultar fatos por trás de um véu de acusações foram coisas que lá estiveram em todos os estágios da crise ucraniana. Nada se fez para levar aos tribunais os culpados pelos sangrentos eventos de fevereiro na praça Maidan e pelo número escandaloso de mortes em Odessa, Mariupol e outras regiões da Ucrânia. A escala do horrendo desastre humanitário provocado por atos do exército ucraniano no sudeste da Ucrânia tem sido deliberadamente manipulada e reduzida.
Recentemente, novos fatos horríveis foram trazidos à luz, quando se descobriram covas para enterramento em massa, nos subúrbios de Donetsk. Apesar da Resolução n. 2166 do Conselho de Segurança da ONU, não se levou a efeito nenhuma investigação ampla e independente sobre as circunstâncias da queda do avião malaio sobre território da Ucrânia. Os perpetradores de todos esses crimes têm de ser identificados e levados a julgamento, ou continuará a ser difícil que aconteça uma reconciliação nacional na Ucrânia.
A Rússia está sinceramente interessada na restauração da paz naquele país vizinho, o que pode ser facilmente bem compreendido por todos que tenham qualquer conhecimento da história dos laços fraternais profundos entre os dois povos. O caminho para um acordo político é bem conhecido. Em abril passado, Kiev já assumira a obrigação, na Declaração de Genebra, assinada por Rússia, Ucrânia, EUA e União Europeia, de iniciar imediatamente um amplo diálogo nacional, com a participação de todas as regiões e forças políticas na Ucrânia, com vistas a fazer uma reforma da Constituição. A implementação dessa obrigação permitiria que todos os ucranianos concordassem sobre viverem conforme suas tradições e cultura, e permitira que a Ucrânia restaurasse seu papel orgânico como elo de ligação entre várias partes do espaço europeu, o que naturalmente implica preservar e respeitar seu status neutro, não de bloco.
Estamos convencidos de que com boa vontade, e desde que todos se recusem a apoiar o partido pró-guerra em Kiev, que tenta empurrar o povo ucraniano para o abismo da catástrofe nacional, há uma saída para fora da crise, ao nosso alcance. A via para superar a crise foi aberta pelo acordo de cessar-fogo no sudeste da Ucrânia – resultado de iniciativas dos presidentes Poroshenko e Putin. Com a participação de seus representantes em Kiev, Donetsk, Lugansk e da Organização de Segurança e Cooperação da Europa e da Rússia, estão sendo tomadas medidas práticas para a implementação sucessiva desses acordos, incluindo a separação das partes em conflito, a remoção de armas pesadas que haja na Ucrânia e em mãos de milícias, e a criação de mecanismos de monitoramento através da Organização de Segurança e Cooperação da Europa.


A Rússia está preparada para continuar a promover ativamente o acordo político mediante o bem conhecido processo de Minsk e outros formatos. Contudo, é preciso que fique absolutamente claro que estamos fazendo isso em nome da paz, tranquilidade e bem-estar do povo ucraniano – não para satisfazer ambições de um ou outro. Tentativas de pressionar a Rússia ou de tentar fazê-la abandonar seus valores, a verdade e a justiça não têm chance alguma de sucesso.
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Permitam-me relembrar um pouco da história não muito distante. Como condição para estabelecer relações diplomáticas com a União Soviética em 1933, o governo dos EUA exigiu de Moscou garantias de não interferência nos assuntos domésticos dos EUA e a obrigação de não empreender qualquer ação com vistas a mudar a ordem política e social nos EUA. Naquele momento, Washington temia um vírus revolucionário, e aquelas garantias foram dadas. Essa foi a base, é claro, para reciprocidade entre os EUA e a União Soviética. Talvez faça sentido voltar a esse tópico e reproduzir as exigências dos EUA daquele momento – agora em escala universal.
Por que a Assembleia Geral não adota uma declaração da inadmissibilidade de qualquer interferência em assuntos internos de estados soberanos? Sobre a inadmissibilidade de um golpe de estado como método para mudanças no poder? É mais que hora de excluir completamente das interações internacionais toda e qualquer tentativa, de alguns estados, de aplicar pressões ilegítimas, sobre outros estados. A total falta de qualquer sentido e a natureza contraproducente de sanções unilaterais são óbvias, se se considera o exemplo do bloqueio que os EUA fazem contra Cuba.
A política dos ultimatos e a filosofia da supremacia e do domínio não combinam adequadamente com o que o século 21 exige de nós; e trabalham contra o objetivo de desenvolver-se uma ordem mundial policêntrica democrática.
A Rússia está promovendo uma agenda positiva e de unificação. Sempre estivemos e continuamos abertos à discussão das mais complexas questões, não importa o quanto possam, de início, parecer insolúveis. Sempre estaremos preparados a buscar compromissos e um equilibramento de todos os interesses, até mesmo uma troca de concessões, mas só se a discussão for realmente respeitosa e equitativa. Os acordos de Minsk, assinados dias 5 e 19 de setembro, como saída para a crise ucraniana, e o compromisso do cronograma do acordo entre Kiev e a União Europeia são bons exemplos a seguir, como a declaração, finalmente, de que Bruxelas está pronta para iniciar negociações sobre o estabelecimento de um acordo de livre-comércio entre a União Europeia e a União Aduaneira de Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, como proposto pelo presidente Putin em janeiro de 2014.
A Rússia nunca desistiu de clamar pela harmonização dos projetos de integração na Europa e Eurásia. A política dos marcos e cronogramas políticos para essa convergência de integrações seria real contribuição ao trabalho da Organização de Segurança e Cooperação da Europa, no tópico Helsinki Plus 40″.
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Outra área crucial desse trabalho seria lançar uma discussão pragmática, livre de ideologia, sobre a arquitetura política e militar da região euro-atlântica, de tal modo que não só os membros da OTAN mas todos os países da região, inclusive Ucrânia, Moldávia e Geórgia, pudessem partilhar da mesma segurança equitativa e indivisível, sem que ninguém fosse obrigado a uma falsa escolha do tipo “ou está conosco, ou está contra nós”. Não se devem admitir novas linhas de divisão na Europa, tanto mais que, por causa da globalização, essas linhas podem rapidamente se converter em divisão insuperável entre o ocidente e o resto do mundo.
Deve-se declarar com honestidade, que ninguém tem o monopólio da verdade e ninguém é capaz de recortar processos globais e regionais para adaptá-los só às suas próprias necessidades. Hoje não há alternativa ao desenvolvimento de um consenso que afirme as regras da governança sustentável e novas circunstâncias históricas de pleno respeito pela diversidade cultural e civilizacional do mundo – o que gera uma multiplicidade de modelos de desenvolvimento. Será tarefa difícil, sempre trabalhosa e cansativa, alcançar esse consenso em todas as questões, mas o reconhecimento do fato de que a democracia em cada estado é a pior forma de governo exceto todas as demais também exigiu muito tempo e trabalho – até que Churchill proclamou seu veredito.
É chegada a hora de assumir a inevitabilidade dessa verdade fundamental nos assuntos internacionais, onde há hoje imenso déficit de democracia. Claro: alguns terão de superar ideias já velhas de séculos, e abandonar para sempre fantasias de excepcionalismo ou de raridade total eterna. Mas não há outro meio para seguir avante. Esforços conjuntos só podem surgir a partir do princípio de respeito mútuo e levando-se em consideração os interesses das demais partes. É o que se faz, por exemplo, nos quadros do Conselho de Segurança da ONU, no G20, entre os países BRICS e na Organização de Cooperação de Xangai.
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A teoria do valor do trabalho coletivo tem sido reafirmada pela prática, e aí se inclui o progresso na resolução da situação criada em torno do programa nuclear iraniano e a bem-sucedida desmilitarização química da Síria. Sobre essa questão, e por falar em armas químicas, gostaríamos de receber informação autêntica sobre o estado dos arsenais químicos na Líbia. Entendemos que nossos colegas da OTAN, depois de bombardearem aquele país, ao arrepio do que determinam resoluções do Conselho de Segurança da ONU, não gostariam de aprofundar ainda mais a situação confusa e perigosa que criaram. Mas fato é que o problema de arsenais químicos não controlados na Líbia é grave demais para que possamos fingir que nada vemos.
Entendemos que o secretário-geral da ONU também tem obrigação de dar prova de sua responsabilidade nessa questão. Importante, nesse momento, é ver as prioridades globais e evitar deixar-se prender como refém a uma agenda unilateral. Há urgente necessidade de fugirmos dos duplos padrões e abordagens dúbias na resolução de conflitos. De modo geral, todos concordamos que a questão chave é combater resolutamente contra terroristas que tentam pôr sob controle deles territórios cada dia mais extensos no Iraque, Síria, Afeganistão e na área do Sahara-Sahel.
Sendo esse o caso, essa tarefa não pode ser sacrificada a esquemas ideológicos ou ao desejo de ‘resolver’ casos pessoais. Terroristas, não importa por trás de que slogans se escondam, são fora da lei; e como tal devem ser tratados. Sobretudo, e nem é preciso dizer, a luta contra o terrorismo deve ser feita sobre base firme da lei internacional. Fase importante nesse processo é a adoção unânime de várias resoluções de segurança da ONU, incluindo resoluções sobre combatentes terroristas estrangeiros; na direção contrária, toda e qualquer tentativa para atropelar com contravenções a Carta da ONU de modo algum contribuem para o sucesso de nossos esforços conjuntos.


A luta contra terroristas no território da Síria tem de ser organizada em cooperação com o governo sírio, o qual já disse claramente que está pronto a colaborar. Damasco já mostrou sua capacidade para cooperar com programas internacionais, com a participação que teve na destruição de seus arsenais químicos. Desde o primeiro momento da Primavera Árabe, a Rússia sempre clamou que aquele movimento não fosse deixado à mercê de extremistas, e que se estabelecesse uma frente unida para responder à crescente ameaça terrorista. Fomos contra a tentação de converter em ‘aliado’ praticamente qualquer um que se proclamasse inimigo de Bashar Al Assad – como Al-Qaeda, Al Nusra ou qualquer outro parceiro desses que se interessavam por mudança de regime, inclusive o ISIL, que hoje está no centro das nossas atenções.
Como diz o ditado, melhor tarde do que nunca. Não será a primeira vez que a Rússia faz contribuição muito real para a luta contra o ISIL e outras facções terroristas ativas na região. Enviamos grandes lotes de armas e de equipamento militar para os governos do Iraque, da Síria e de outros países no Oriente Médio e no Norte da África, e continuaremos a apoiar os esforços deles para suprimir terroristas. A luta contra a ameaça terrorista exige abordagem ampla; queremos arrancar a causa raiz do terrorismo, em vez de nos deixar condenar a reagir sempre só contra os sintomas. O ISIL é apenas parte do problema.
Propomos que se lance, sob os auspícios do Conselho de Segurança da ONU, um estudo amplo e profundo sobre a ameaça extremista e terrorista, e aspectos dessas ameaça no Oriente Médio e região norte da África.
Essa abordagem integrada implica também que o conflito de longa duração deve ser identificado, em primeiro lugar, entre árabes e Israel. A questão Israel-Palestina arrasta-se sem solução há várias décadas e é amplamente reconhecida como um dos principais fatores de instabilidade na região, que ajuda os extremistas no trabalho de recrutar mais e mais jihadistas.
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Outra área literalmente urgente para nosso trabalho comum é unir nossos esforços para implementar decisões da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança da ONU para combater o vírus ebola. Nossos médicos já estão trabalhando na África. Há planos para mandarmos mais ajuda humanitária, assistência, equipamentos, instrumentos médicos, remédios e esquipes de especialistas para dar assistência aos programas da ONU na Guiné, Libéria e Sierra Leone.
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A ONU foi criada das ruínas da 2ª Guerra Mundial, e já está entrando no ano de seu 70º aniversário. É obrigação para todos nós celebrarmos de modo apropriado o aniversário daquela grande vitória, e pagar tributo à memória dos que morreram pela liberdade e pelo direito de cada povo determinar o próprio destino.
As lições daquela guerra terrível, e o curso completo dos eventos no mundo de hoje, exigem que unamos esforços e esqueçamos os interesses unilaterais e os ciclos das eleições nacionais. Quando se trata de enfrentar ameaças globais contra toda a humanidade, é preciso impedir que o egoísmo nacional prevaleça sobre nossa responsabilidade coletiva.
Muito obrigado.”

Nota da Embaixada da Síria sobre a tentativa da Turquia de criar uma área de exclusão nos territórios sírios


Nota da Embaixada da República Árabe da Síria

O Governo da Turquia atuou, desde o início da crise na Síria, de forma consistente e sistemática para atingir a estabilidade do país e ameaçar a sua soberania, a sua unidade e a sua integridade territorial, disponibilizando todas as formas de apoio político, militar e logístico aos grupos terroristas armados, fornecendo-lhes abrigo, financiamento, armamento e facilitando a passagem de terroristas de mais de 83 nacionalidades para país. Isto fez com que a Turquia se tornasse uma base fundamental para os terroristas que atacam a Síria e o Iraque e ameaçam os outros países da região.
Este complô, visto agora por todos os países árabes, não é senão uma prova flagrante da sólida relação entre a Turquia e o grupo terrorista ISIS.
A tentativa turca de criar uma área de exclusão nos territórios sírios é uma flagrante violação aos princípios e metas da Carta das Nações Unidas e às normas que regem o Direito Internacional, no que diz respeito à soberania nacional dos países e à não interferência em seus assuntos internos, assim como constitui uma violação às resoluções do Conselho de Segurança relativas ao combate ao terrorismo e à secagem de suas fontes, especialmente as resoluções 1373, 2170 e 2178, o que exige da comunidade internacional e, especialmente, do Conselho de Segurança uma rápida movimentação no sentido de dar um basta às violações do governo turco, que vêm se constituindo uma ameaça à segurança e à paz regional e internacional.
O povo sírio, que com sua resistência, seu heroísmo e o sacrifício de suas forças armadas vem enfrentando a morte e a destruição, é o único dono da decisão sobre suas alternativas e sobre o seu futuro e não permitirá qualquer tipo de intervenção em seus assuntos. Ele está firme no enfrentamento dos planos que visam atingir a unidade e a integridade das terras e do povo da Síria e em defender a sua soberania e a sua decisão nacional sobre o futuro. Partindo deste princípio, a República Árabe da Síria rejeita, terminantemente, a criação de uma área de exclusão em qualquer parte do território sírio, sob qualquer pretexto. Assim como rejeita qualquer ofensiva intervencionista de forças estrangeiras em seu território e adotará, após consultas com os países amigos, todas as providências necessárias para defender sua soberania nacional e sua unidade e integridade territorial.

Embaixador Dr. Ghassan Nseir, Chefe da Missão da Embaixada da República Árabe da Síria no Brasil

Tradução: Jihan Arar

Rusia e Irán estudian aumentar su cooperación nuclear


La Corporación Estatal rusa ‘Rosatom’ informó el jueves sobre nuevas consultas entre Rusia y la República Islámica de Irán, destinadas a ampliar la cooperación nuclear entre ambos países.

“Las partes abordaron la cooperación bilateral actual y futura en materia de energía atómica”, ha indicado la compañía rusa por medio de un comunicado.
Según la nota, en el encuentro mantenido el miércoles en Teherán, capital persa, habrían participado el subdirector general de Rosatom, Nikolái Spasski, y el portavoz de la Organización de Energía Atómica de Irán (OEAI), Behruz Kamalvandi.
En tanto, el viceministro de Asuntos Exteriores de Rusia, Serguei Riabkov, anunció en la jornada del jueves nuevas formas de cooperación nuclear entre Teherán y Moscú, en un futuro próximo, y en cumplimiento de las leyes internacionales.
“No descartamos aplicar en adelante nuevas formas de cooperación nuclear, pero siempre lo haremos de conformidad con el derecho internacional (...) todas las formas de cooperación que ya se aplican o se aplicarán corresponden a los regímenes de no proliferación, las resoluciones del Consejo de Seguridad de la ONU y la legislación rusa”, recalcó Riabkov.
Sin embargo, el diplomático ruso lamentó el hecho de que diferentes aspectos de sus diálogos nucleares con Irán sean, con frecuencia, “objeto de especulaciones”.
En virtud de un pacto firmado en 1995, Teherán y Moscú acordaron terminar el proyecto de la central nuclear de Bushehr (lanzado en 1975 por empresas atómicas alemanas).
En septiembre de 2013, la empresa rusa entregó a los técnicos iraníes el control total de la primera fase de la planta de energía nuclear de Bushehr de 1000 megavatios, la cual había alcanzado su máxima capacidad de generación en agosto de 2012.
Mientras tanto, las partes planean firmar para finales del presente año un contrato sobre la construcción de dos nuevos reactores para la planta nuclear de Bushehr (situada en el sur del territorio persa); así que en el pasado mes de junio coordinaron definitivamente los respectivos documentos.

tas/ybm/rba - HispanTv

Periodista: "El objetivo de EE.UU. en Siria es Bashar al Assad, no el Estado Islámico"


En el territorio sirio actúan 43 grupos insurgentes, responsables de miles de muertes. La culpa es de EE.UU., sostiene el periodista Siraj Davis. Según él, la actual campaña de Washington es un intento de desestabilizar aún más el país.

"Ustedes les dan armas. Ustedes les dan el dinero. Ustedes crean un caos completo", insistió Davis en una entrevista ante la cadena iraní Press TV en referencia al apoyo que EE.UU. y sus aliados prestan a la oposición siria a la que califican como "moderada". Desde el punto de vista del periodista, en realidad el dinero occidental fluye para otros objetivos.
"Esto es lo que hay en Siria, esto es lo que hay en Irak, y EE.UU. está detrás de ello. Está financiando inhumanidad, injusticia. Está financiando la muerte de millones de civiles", subrayó Davis. Según opina, la actual campaña militar liderada por Washington contra el Estado Islámico, sobre todo, en Siria, tiene unos fines muy diferentes a los proclamados oficialmente. "EE.UU. está principalmente interesado en la eliminación de Bashar al Assad, es su objetivo principal", sostiene.
En cuanto a la milicia yihadista, no está entre los intereses de Washington eliminarla, sostiene. "Esto no es sobre acabar con la amenaza. Es sobre controlar la amenaza. Es un juego político muy frío y pragmático. Quieren al Estado Islámico en el campo, para que amenace a los enemigos de EE.UU. y de Turquía", opina Davis.
Esta semana Washington acordó con la alianza antiterrorista multinacional que lidera llevar adelante una campaña a largo plazo contra la milicia yihadista. Leon Panetta, exsecretario de Defensa de EE.UU., por su parte, manifestó que la coalición no podrá limitarse a bombardeos aéreos y que debería mantener sobre la mesa la opción de enviar a Irak y Siria tropas estadounidenses.

Actualidad RT