
Aisha Kadafi, advogada que integrou defesa de Saddam Hussein, defensora das causas justas em diversos países, fala sobre os covardes ataques da coalizão de países imperialistas ocidentais à Líbia
Aisha Kadafi, filha do líder Muamar Kadafi, é uma das mais respeitadas advogadas em todo o mundo. Ela criou uma organização internacional que presta ajuda humanitária, através da defesa em tribunais internacionais, a pessoas e povos que tem seus direitos violados. Nessa luta ela foi uma das defensoras de Saddam Hussein, ex-presidente iraquiano covardemente enforcado pelos fantoches do imperialismo norte-americano no Iraque ocupado.
Em entrevista ao jornalista David D. Kirkpatrick, em Trípoli, Aisha Kadafi, 36 anos, falou sobre temas importantes da atualidade:
Rebeldes - Ela qualificou os rebeldes de "terroristas", mas sugeriu que alguns ex-funcionários de Kadafi, que agora estão no Conselho de Governadores da oposição ainda "mantém contato conosco”. Ela fez um apelo em favor do diálogo e falou sobre as reformas democráticas. Mas afirmou que os rebeldes não estão à altura de fazer tais negociações por causa de seu uso da violência. Atacou o presidente Barack Obama e a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton e, em determinado momento, desmistificou a ideia básica da democracia eleitoral, que só beneficiam uma minoria de malandros que dominam os partidos políticos e controlam as instâncias de poder em benefício próprio. Aisha citou o exemplo líbio, a Terceira Teoria Universal, o Livro Verde de Muamar Kadafi, que prega a democracia direta, onde o povo exerce a verdadeira democracia nos Congressos e Comitês Populares, sem intermediários, sem políticos profissionais.
“Os rebeldes foram criados pelos países ocidentais interessados em roubar petróleo da Líbia. São financiados pelos governos da França, Estados Unidos e Inglaterra, através das empresas de petróleo e da CIA. Eles não tem nenhum apoio popular, apenas o apoio da imprensa ocidental”.
Decepção – Aisha se disse decepcionada com a reação de governantes que até ontem se diziam amigos da Líbia e hoje participam da aventura militar de agressão ao seu país, que está assassinando centenas de civis indefesos. Às vezes, ela ria de seu destino, lembrando de como as Nações Unidas, que já "implorou" a ela para que fosse uma de suas enviadas da paz, agora a colocou no Tribunal Penal Internacional. Sua equipe apresentou uma biografia ilustrada intitulada "Princesa da Paz".
Ela disse que sua experiência como voluntária na equipe de defesa de Saddam ofereceu paralelos relevantes. "A oposição do Iraque disse ao Ocidente que quando chegassem ao Iraque seriam recebidos com rosas", disse ela. "Quase 10 anos depois, eles estão recebendo os norte-americanos com balas e, acredite, a situação na Líbia vai ser muito pior. Hoje em dia todo o petróleo do Iraque é roubado pelo governo dos Estados Unidos da América”.
Sobre Obama e Hillary Clinton, ela disse que ambos são decepções mundiais. Quanto a Obama "que recebeu o voto de protesto do povo norte-americano, não conseguiu nada até agora, não cumpriu suas promessas de campanha", e riu ao perguntar a Hillary Clinton: "Por que você não deixou a Casa Branca quando descobriu a infidelidade de seu marido?"
Diálogo - Ela descartou qualquer diálogo com os rebeldes da Líbia, que estão sendo derrotados em todas as frentes de combate e fugindo para a Tunísia, Egito e mar Mediterrâneo. Não passam de "terroristas" e mercenários que "estão lutando apenas por lutar”.
Aisha disse que a Líbia não tem medo das potências envolvidas em mais esta agressão ao seu país, porque “o povo líbio está unido e disposto a combater por sua liberdade a qualquer preço, inclusive da própria vida”.
Democracia - Ela também ridicularizou as ideias básicas da democracia ocidental como prestação de contas e responsabilidade pública em uma eleição dita democrática. "Deixe-me dizer algo sobre as eleições ocidentais que eles dizem ser um sistema democrático de governo. Em uma eleição onde um candidato ganhou com 50% dos votos e outro perdeu com 48%, ela perguntou: "Vocês chamam isso de democracia? Apenas este voto? O que acontece com os 48% que disseram ‘não’? Hoje na França os institutos de pesquisas mostram que Sarkozy será derrotado na próxima eleição, porque conta com o apoio de apenas 28% da população. Como é que um governante que conta com apenas 28% da população pode decretar guerras, invadir um país pacífico, e não sofrer represálias? É ridículo!”
Ela reclamou da "traição" dos governantes árabes pró-ocidentais, cuja causa seu pai havia apoiado e os aliados ocidentais a quem ele entregou as suas armas de destruição em massa. "É essa a recompensa que nós temos?", perguntou ela. "Isso levaria cada país que tem armas de destruição em massa a mantê-las ou fazer mais delas para que não tenham o mesmo destino da Líbia".
Imigrantes – Com esta guerra de agressão milhares de imigrantes ilegais provenientes da África estão invadindo a Europa; os radicais islâmicos estabeleceriam uma base na costa do Mediterrâneo e as tribos líbias usam suas armas umas contra as outras.
Citando relatórios da inteligência líbia, ela afirmou que os rebeldes venderam armas para a Al Qaeda para aplacar a fome. "Na Tunísia o caos está instalado. Delegacias de polícia não funcionam, o comércio é saqueado, o crime prospera. É isso que os imperialistas desejam criar nos países árabes e africanos: dividir para dominar”.
"Até o momento, dezenas de barcos superlotados de imigrantes africanos naufragaram no mar Mediterrâneo, milhares estão morrendo longe das câmeras de televisão do Ocidente. Estes crimes também devem ser contabilizados para a ONU, Otan e a coalização de países agressores".
















